Em um dos meus post escrevi sobre o pão, de onde surge o trigo; e quem leu vai lembrar que o trigo veio da Turquia, quando falei do pão sírio. Relembrando:11.000 anos A/C, é nas montanhas de Karacadag no sudeste da Turquia que se encontram os primeiros grãos do que chamamos hoje trigo.
Mas quem descobre o uso e plantio do trigo são as mulheres que cultivam e cozinham fazendo uma papa que servia de refeição para manter os caçadores bem alimentados.
Mas como os brasileiros se nutriam no seu café da manhã? É um fato muito muito interessante, a dieta do no cafe da manha se dava da seguinte forma nas épocas coloniais, no almoço beiju de polvilho, farinha de mandioca,pirão ou massa de farinha de mandioca feita no caldo do peixe.
O café da manhã consistia em carimã, tapioca, mandioca e beiju que são palavra indígena, bolos produzidos pelas mãos portuguesas, e mingaus.
Os índios consumiam o milho como alimento em uma escala menor, mais como guloseima, e bebidas; mascavam o grão de milho e cuspiam em urnas deixando fermentar como uma bebida que lhes traziam êxtase. Os portugueses e os escravos se aproveitaram do milho para fazer canjica e bolos, os escravos para seus rituais e suas refeições o mungunzá.
A era colonial foi então regrada de costumes indígenas no âmbito alimentar, sem dúvida houve uma contribuição muito grande,os escravos faziam suas refeições baseada nos elementos dos índios e adaptaram a sua cultura africana, que hoje foi adaptada senão melhor dizendo totalmente adaptada ao nosso receituário culinário.
Os portugueses já haviam plantado e já colhiam os alimentos por eles trazidos de sua terra como poejo, agrião, couve, cebola, alho, coentro, salsa, as sopas já podiam ser feitas com abóbora, nabo, repolho e berinjela, adicionando o azeite de oliva vindo de Portugal, e com este novo mundo riquíssimo em legumes e vegetais trazidos pelos colonizadores durante o século XVI, as cunhas foram aprendendo a lidar com todas essas novidades do reino alimentar orientadas pela mulher branca.
O pão não era consumido ainda no Brasil. Em 1816 mas por outro lado havia plantação de trigo na Paraíba. Convém lembrar que o trigo tem seu melhor rendimento de grãos de boa qualidade em regiões frias as regiões áridas e quentes produzem um trigo de qualidade muito inferior. Por isto o trigo argentino é superior em qualidade ao brasileiro, pois é plantado na região da Patagônia.
No início do século 19 havia um ritual todo especial, para se fazer um pão assavam um pedaço de massa em uma cruz e recitam salmos para fazê los crescer, afofar e dourar quando assados em casa. Já no século 19, o pão na verdade chega ao Brasil com a vinda dos Italianos.
As primeiras padarias surgiram em Minas Gerais, e em São Paulo no bairro do bexiga.
E é com a chegada dos italianos que o pão se torna refeição primordial na mesa dos brasileiros, no início do século XX, o pão produzido não era nem perto do pão em que consumimos hoje, o típico pão italiano de casca dura de crosta escura com um miolo meio espesso e escuro de fermentação natural levando de 18 a 26 horas de fermentação. Era um pão duro de se comer e ficando ao tempo endurecia, quanto mais velho mais impossível de comer.
O Brasil passa pela belle époque e começa a importar costumes da Europa. Foi nesta época que inventaram o telefone, bicicleta entre tantos outros.
Em 1910 as pessoas de maior poder aquisitivo ostentavam elegância e luxo, e comer em um restaurante com paredes de mogno ou cobre era somente para nobreza, Paris é referência da nobreza e alta gastronomia.
Os aristocratas brasileiros em suas viagens para França, quando voltavam para o Brasil exaltavam aquele pão em formato cilíndrico e com uma casca crocante mas não tão dura como os pães italianos.
Na recém criada república os brasileiros querem se distanciar da era colonial portuguesa, e ter uma nova identidade. Na capital do Brasil o Rio De Janeiro começam a surgir ,cafés e confeitaria onde a burguesia se reunia para seu chá ou café como um ponto de encontro. Uma das confeitarias mais famosas do Brasil e para quem tiver a oportunidade de conhecer na cidade do Rio de Janeiro não pode deixar de passar para tomar um café na Confeitaria Colombo que data do início do século XX e está no mesmo lugar desde que foi fundada.
Com os clientes pedindo o pão tipo francês, e escutando como era o pão com a crocância, e maciez os primeiros padeiros investem em produzir algo semelhante, após várias tentativas nada chegava perto do que os nobres conheciam como o pão francês. Um nobre traz então a tão cobiçada fórmula, sendo assim um padeiro no Rio de Janeiro investe em fazer o pão, com agua, sal, farinha e gordura vegetal. O pão brasileiro com uma fermentação de hora e meia
Era igual ao pão da França? Nem perto, o pão original tem uma crosta muito dourada e escura, miolo macio, mas com uma fermentação mais longa do que era e é o pão brasileiro.
A formulação exata do pão francês brasileiro não é exata, não há registro de quem foi o padeiro que acertou a formulação de um pão com casca dourada e miolo macio. Mas ao que tudo indica ele acertou o paladar de todos os brasileiros na época e até hoje.
Em 1905 a Bunge aporta no Brasil e traz consigo o agronegócio e montando o primeiro moinho de farinha no Brasil; quem não se lembra do moinho Santista. Compraram o Moinho Fluminense fundado em 1887.
Um fator interessante e o porque o brasileiro não conseguia comer o pão italiano, era sua dentição precária e que ocasionava a quebra de dentes ao comer este pão; por isto se deu a necessidade de se fazer um pão em que o brasileiro pudesse mastigar sem quebrar seus dentes.
Em 1931 Getulio Vargas autoriza a Fleischmann a fabricar o primeiro fermento biologico no Brasila empresa americana Standard Brands, e em 1948 surge a primeira escola de panificação no Brasil.
Já o pão de centeio, chega ao Brasil , por imigrantes russos, poloneses e hungaros. Pois estas regiões são muito frias para o cultivo do trigo, mas para o centeio e´perfeita, assim o pos guerra traz ao Brasil uma nova linha de pães, e chega o pão preto entre outros. Assim como o pão integral. Os pães doces e outros chegam com novos imigrantes que trazem suas culturas em sua bagagem e ai temos uma variedade de pães e outros.
Me perguntaram porque você pede para encomendar seus pães toda Quarta Feira ?
Justamente porque meu pão não leva fermento biológico e tem uma fermentação natural de 26 hrs.
Tornando-o mais saboroso e com aromas que só este tipo de fermentação pode elixir.
Lembre-se Quarta feira é dia de pão na Devorah.
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